
Paulo Bernardo foi detido em ação deflagrada pela Polícia Federal (PF), que incluiu 11 prisões e 40 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre é um desdobramento da 18ª fase da Lava-Jato ( Foto: Agência Brasil )
Brasília. O ex-ministro Paulo Bernardo (PT-PR) foi preso, ontem, na Operação Custo Brasil, deflagrada pela Polícia Federal de São Paulo. A ação, que incluiu 11 prisões e 40 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre é um desdobramento da 18ª fase da Lava-Jato.
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Segundo a investigação da PF, do Ministério Público Federal em São Paulo e da Receita Federal, Bernardo teria se beneficiado entre 2010 e 2015 de R$ 7 milhões desviados de contratos firmados entre o Ministério do Planejamento e a empresa de tecnologia Consist. Gestora de crédito consignado para servidores públicos federais, a empresa foi contratada sem licitação em 2010, quando o petista ainda estava à frente da pasta.
O PT, que também teve a sede do diretório nacional, em São Paulo, entre os alvos das buscas, é apontado como beneficiário de parte da propina. Apenas um dos operadores chegou a repassar R$ 12 milhões ao partido, segundo a investigação.
A casa do ex-ministro da Previdência Carlos Gabas (PT-SP), amigo da presidente afastada Dilma Rousseff, também foi alvo. Gabas foi convidado a depor, mas se recusou. Segundo a Polícia Federal e o MPF, ele teria recebido propina para garantir que a Consist firmasse contrato com o Planejamento.
A Custo Brasil foi iniciada após a delação do ex-vereador do PT da cidade de Americana (SP), Alexandre Romano, o Chambinho. Ele foi o principal articulador da Consist junto à sigla e agentes públicos.
Esquema
Segundo a PF, a Consist recebia R$ 1 de cada parcela de crédito consignado paga, quando o valor de mercado desse serviço era R$ 0,30. Cerca de R$ 100 milhões teriam sido desviados da Pasta entre 2010 e 2015. O dinheiro corresponderia a 70% do contrato de R$ 140 milhões que a empresa manteve com o ministério para fazer o gerenciamento e controle de créditos consignados nesse período.
Desses 70%, o então ministro do Planejamento Paulo Bernardo se beneficiava de 9,6% do montante. O valor caiu para 4,8% com a saída dele da Pasta, em 2011, e para 2,9% em 2014.
O dinheiro teria sido usado para pagar despesas pessoais do ex-ministro, como salários de empregados, aluguel de garagem e de um loft.
Em decisão em que decreta a prisão preventiva (sem data para sair) de Paulo Bernardo, o juiz responsável pela ação, Paulo Bueno de Azevedo diz que os R$ 7 milhões que o ex-ministro teria recebido não tinham sido localizados e que haveria risco "de realização de novos esquemas de lavagem".
Para Azevedo, essa possibilidade seria um risco à ordem pública e às contas do País "que enfrenta grave crise financeira, a qual certamente é agravada pelos desvios decorrentes de cumulados casos de corrupção".
Segundo investigadores, o valor chegava ao ex-ministro por meio do advogado Guilherme Gonçalves, que também teve prisão decretada.
Ele atuou nas campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), esposa de Bernardo.
Defesa
A defesa de Paulo Bernardo afirmou que não teve acesso à decisão que o levou à prisão, mas classificou o ato de ilegal e disse que o petista não se envolveu em irregularidades.
O procurador Andrey Borges afirmou que "a operação foi uma resposta àqueles que celebraram com champanhe o declínio do caso de Curitiba (PR). Para mostrar que não é só lá que se faz esse trabalho".
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em Curitiba, também é alvo do caso por ter o papel de definir a distribuição da propina. Houve saques em dinheiro e pagamentos a empresas de fachada para esconder o caminho do dinheiro até o partido e beneficiários.
Paulo Ferreira, tesoureiro do PT que antecedeu João Vaccari, foi alvo de mandado de prisão por suspeita de ter participado do esquema.
Outro detido, o secretário municipal de São Paulo Valter Correia, que foi secretário adjunto do Planejamento, é alvo por receber valores em espécie e repassá-los a outros participantes do esquema, como o ex-ministro Gabas. Ontem, ele pediu exoneração do cargo. Já o jornalista Leonardo Attuch foi chamado a depor porque recebeu valores da empresa de tecnologia sem prestar nenhum serviço, por indicação de Vaccari Neto.

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